Matéria Exclusiva: Qual a importância das brincadeiras para a construção dos vínculos entre pais e filhos?

Isabella Zappa, Psicopedaga formada pela PUC Rio

“É muito importante que pais e filhos tenham momentos de prazer e descontração, que o a criança possa contar com eles como responsável por sua segurança física e emocional, mas também como parceiro para brincadeiras. É na brincadeira também que se constrói intimidade entre pais e filhos. Mas é importante colocar também que, mais vale a qualidade do que a quantidade do tempo em que estão brincando.

 

Isabela Zappa: Às vezes, brincando com nossos filhos, parece que nos falta imaginação ou criatividade, pois muitas vezes achamos que estamos muito distantes do espaço lúdico da infância (em termos de idade ou de experiências e vivências).

Revista Vínculo: Você tem dicas ou sugestões para resgatar a criança que existe dentro de nós? E a criança precisa mesmo ser o tempo todo estimulada pelos adultos nas brincadeiras? Até que ponto devemos deixá-las assumir o controle do brincar? 

Isabella Zappa: É importante que o adulto tente se divertir durante a brincadeira. As crianças sentem quando estamos fazendo aquilo por obrigação. Brincar é uma questão de prática: no início o adulto pode se sentir estranho, mas depois de um tempo ele mesmo vai resgatando a diversão nas brincadeiras infantis. Ao mesmo tempo pais podem brincar com os filhos com brinquedos que eles gostavam de brincar na sua infância.

Revista Vínculo: Já que qualidade é melhor que quantidade, quais as dicas para que os pais aproveitem ao máximo o tempo com seus filhos? Tem sugestões de brincadeiras que possam ser feitas à noite? E quando o tempo não ajuda no fim de semana? O que é possível fazer dentro de casa para entreter e estreitar laços com os pequenos?

Isabella Zappa: Não tem dica, o importante é se deixar levar e realmente se divetir, sem medo de se sentir ridículo. Quanto mais você se diverte, mais a criança fica imersa na brincadeira.

Quanto à questão do estímulo, é importante que durante as brincadeiras o adulto não ensine a criança ou faça por ela e sim dê instrumetos para que ela descubra o caminho. Por exemplo: em um jogo de encaixe, se a criança não conseguir de primeira, não coloque a peça no lugar adequado, deixe que a criança vá desconbrindo por tentativa e erro. Com crianças mais velhas, formule hipóteses. É importante pensar nas brincadeiras em diferentes idades. Crianças até 8 anos tem dificuldades em compreender jogos com regras. Acredito que podemos orientar a brincadeira, mas, sendo um espaço lúdico, o controle é deles!

Revista Vínculo: Hoje em dia, com o impacto do audiovisual e das novas mídias em nossas vidas, muitos pais lançam mão de recursos tecnológicos para entreter seus filhos. Na sua opinião, qual o impacto de tablets, celulares, computadores etc. no brincar? E qual deve ser o equilíbrio desejado em relação a esses recursos de entretenimento?

Isabella Zappa: Em relação à qualidade do tempo dedicado aos filhos. Se a mãe ou o pai chegam em casa tarde, é importante que fiquem esse tempo que resta com as crianças, brincando. Dê atenção integral aos filhos. Não adianta sentar com a criança no chão enquanto fala ao celular ou checa os emails. É essencial que se esteja presente por inteiro durante o tempo brincado com a criança. As sugestões de brincadeiras variam de acordo com a idade. Os menores se beneficiam de coisas mais concretas: blocos de construção, pintura, pintura a dedo, fantoche. Contar histórias é muito importante também.

É no mundo da imaginação que a criança pode vivenciar seus medos. Aos poucos ela vai descobrindo a diferença do mundo real e do imaginário, mas use e abuse do mundo imaginário!

Revista Vínculo: Como saber se estamos dando os estímulos e o espaço lúdico adequados para o desenvolvimento de nossos filhos? Como saber se brincamos o suficiente?

Isabella Zappa: Crianças maiores gostam de jogos, desafios, perguntas. É importante também conhecer seu filho para ir adequando as brincadeiras ao tempo.

Sem dúvida as novas tecnologias tem grande impacto sobre essa geração. Ainda não podemos ter a noção real de como isso vai impactar no aprendizado de forma efetiva mas, o que se pode perceber é que, com o os recursos audiovisuais como tablets e iphones a criança é mais passiva, já que o conteúdo já vem pronto para ser assimilado. Equanto isso, os jogos concretos necessitam de um exercício maior por parte deles, maior interpretação, já que nem tudo está na imagem. Não acho interssante abolir essa tecnologia, já que é uma realidade que veio para ficar e essa crianças gostam e tem de lidar com isso. Ao mesmo tempo, é importante o equilíbrio entre as brincaderias lúdicas, onde a criança usa a imaginação, aquilo que não está pronto, que ela mesma constrói e que não tem limites de desenhos e formas. Há que se buscar o equilíbrio e mostrar aos pequenos como os outros jogos são divertidos. Para isso, é necessário um inceitivo do pais. O eletrônico é mais cômodo, já que não precisa da presença do adulto e deixa as crianças quietas, por isso muitos optam indiscriminadamente por eles, sem um equilíbrio.

Em relação ao tempo, é de cada um, não há uma regra. Mas é importante estar atento à criança para saber o que ela demanda e do que ela carece.

 

Artigo: Não parece brincadeira, mas é! da Psicanalista Luzinete Carvalho, Pág. 17

Texto na Íntegra:

“Quando me convidaram tão gentilmente para escrever um texto sobre a importância do brincar na vidinha da criança, e para falar um pouco sobre a exposição das crianças a TV, Computatores, Tablets, etc, uma das primeiras coisas que me veio foi algo que aconteceu aqui em casa há algum tempo!

Estávamos na cozinha e de repente ouvimos lá da sala:

 

– Olá, vamos brincar juntos?

 

Em seguida uma musiquinha animada respondeu:

 

– A vaquinha faz mu mu e este patinho é amarelo…

 

Alguns segundos de silêncio e em seguida a primeira voz diz um “até logo”.

 

Francisco e eu nos entreolhamos e rimos muito, ele ainda falou um “que doido” enquanto em nossas cabeças cada um entendia do seu modo o que aconteceu!

 

E o que aconteceu é que dois dos brinquedos dele, presenteados em dois aniversários diferentes, estavam literalmente brincando sozinhos!

 

Um era um cubo, acionado por sensor, que em cada face tem lá um monte de botões para apertar e escutar algo em seguida, o outro um livrinho eletrônico que conta historias com musiquinhas!  Um deve ter sido acionado pela cortina balançada pelo vento, e  o outro respondeu com a historinha! O cubo é quem diz sempre de forma bastante educada um “até logo”.

 

Rimos muito, e continuamos a fazer os nossos cupcakes de laranja, isto sim, uma brincadeira muito mais divertida do que assistir brinquedos auto suficientes se divertindo sozinhos.

 

Aproveito então para começar este texto falando sobre esses brinquedos, sobre a TV, sobre os joguinhos eletrônicos, tablets, e afins!

 

Na verdade… Não quero gastar muito tempo falando disso não… Ainda que o assunto seja extenso e obviamente polêmico!

 

Neste texto quero na verdade propor uma reflexão, a nós, mães, pais, cuidadores e educadores, que somos os adultos nesta situação e temos (ou deveríamos ter) o discernimento necessário para avaliar os prós e os contras do uso de certos recursos na vida das nossas crianças!

 

Foi-se o tempo em que a preocupação era apenas com as horas intermináveis em frente a TV. Nossas crianças nascem hoje em um mundo muito mais tecnológico do que há apenas 1 década. Não raro vemos criancinhas pequeninas manipulando celulares e tablets com tamanha desenvoltura e destreza que nos admira, e até arrancam alguns olhares invejosos de adultos que não possuem a mesma facilidade que elas, para usar os recursos eletrônicos que temos!

 

Também é muito comum observarmos hoje em dia o quanto telefones celulares, computadores, tablets, etc, se tornaram opções para presentear crianças cada vez menores.

 

Mas vamos falar um pouco sobre a TV e também sobre os DVDs.

 

Existem estudos e pesquisas sérias sobre o assunto, que simplesmente não recomendam que crianças menores de 3 anos assistam televisão.

 

Há muitos prejuízos associados a exposição da criança em idade pré escolar a TV, vai desde dificuldade para adormecer, caso a criança assista TV no período que antecede o sono, passando por aumento da ansiedade, agressividade, dificuldade de concentrar-se quando chega a idade escolar, e acaba sendo também um forte estímulo ao consumismo e ao sedentarismo, que, por sua vez, pode levar a obesidade infantil e outros problemas de saúde.

 

É neste momento do texto que algumas vozes podem se erguer para dizer coisas do tipo: “bobagem, meu filho sempre assistiu TV e vai muito bem na escola”, “besteira, DVDs apropriados servem para desenvolver a capacidade das crianças”, e uma das que demonstram um problema um tanto mais sério: “quero ver quem virá fazer as tarefas domésticas no meu lugar se eu não colocar as crianças para ficarem vendo TV enquanto faço”…

 

E para isso, prefiro apenas citar algumas medidas que outros países tomaram sobre esta questão:

 

Na França existe uma decisão tomada desde 2008 do Conselho Superior de Audio Visual (CSA), que determina que as redes de TV não podem difundir, editar ou promover programas destinados epecificamente para crianças menores de tres anos, valendo também para outras mídias e jogos eletrônicos.

 

A Sociedade Canadense de Pediatria recomenda que os pais limitem o tempo de exposição da criança em idade pré escolar a no máximo uma hora por dia.

 

A Academia Americana de Pediatria recomenda que crianças menores de 2 anos não devem assistir televisão. Lá, em 2004, foi feito um estudo publicado no Pediatrics, que constatou que os pais acreditavam realmente que a TV, através de programas e jogos educativos, poderia ajudar no desenvolvimento das crianças!  Mas segundo o autor, o Dr. Dimitri Christakis, do Centro Médico Regional de Seattle e da Universidade de Washington, o que existem são milhares de motivos para que a criança não veja televisão.

 

Mas como falei que não quero me estender neste aspecto, deixo aqui um link para quem se interessar em se aprofundar um pouco mais:

 

http://biblioteca.alana.org.br/banco_arquivos/arquivos/docs/acoes/baby_tv/Sociedade.pdf

 

Creio que cada pai e mãe deve pesquisar, se informar e assim fazer escolhas mais conscientes sobre tudo que diz respeito aos cuidados com seus filhos, sabemos da dificuldade que as famílias possuem em dar conta de todos os afazeres do dia a dia, realmente muitas mães e pais precisam ainda resolver tudo que diz respeito as tarefas da casa depois que chegam do trabalho, e nessas horas recorrer a televisão ou aos jogos eletrônicos para entreter as crianças, é algo comum.

 

Se é certo ou errado, se é negativo ou positivo, cada família vai poder avaliar por si, sendo sincera com o contexto no qual está inserida, mas que pelo menos ao recorrerem a este recurso, saibam que esta necessidade é dos adultos e não das crianças.

 

A proposta deste texto é falar da importância do brincar, percebemos hoje em dia que as crianças, desde muito pequenas, estão sobrecarregadas, muitas vezes passam grandes períodos em berçários e escolinhas, e além disso, ainda acabam tendo deveres para serem feitos em casa, ou seu tempo livre é totalmente ocupado com aulas extras de coisas como balé, judô, língua estrangeira, música, algum instrumento musical, natação, etc.

 

E sobra pouco, ou nenhum tempo, para simplesmente “não fazer nada”, praticamente não sobra tempo para o ócio, para a tranquilidade de estar em casa, com sua família e não ter nenhuma tarefa ou obrigação para cumprir!

 

E nós pais, com nosso tempo corrido, com todas as preocupações que temos todos os dias, somos também engolidos pelo hábito, e não conseguimos tempo para simplesmente estarmos com nossos filhos!

 

Geralmente o principal cômodo de uma casa é a sala, e a sala se organiza em volta da TV, os dias da semana passam corridos, e nos finais de semana o passeio das famílias tem sido o shopping, e o pior: as crianças acabam sendo levadas de um lado para o outro como mais um acessório, acopladas em seus carrinhos, sendo empurradas de cá para lá pelos corredores, enquanto os pais apressadamente olham alguma vitrine ou compram algo que estejam (ou não) precisando. 

 

Quando param na praça de alimentação para uma refeição, lá estão as crianças hipnotizadas pelos tablets, para que fiquem quietas permitindo que todos possam engolir algo rapidamente, afinal, shopping tem horário para fechar e a “diversão” tem hora para acabar…

 

Mas nisto tudo, neste panorama um tanto caótico e perdido que narrei, preciso lembrar que televisores, computadores, telefones, brinquedos, são apenas COISAS.

 

O perigo e o mal não vivem nas coisas em si, e sim no uso que fazemos delas! 

 

Precisamos mesmo é saber dosar muito bem as coisas, fazer nossas escolhas com consciência, e compreender que a maneira como um objeto é usado é que vai fazer a diferença.

 

Mesmo o brinquedo educativo feito de madeira de reflorestamento totalmente artesanal, se é entregue para a criança e ela é esquecida brincando sozinha, pode ser o melhor brinquedo do mundo, e ainda assim ele não estará cumprindo seu papel.

 

Pois mais importante do que o brinquedo ser educativo, é que ele seja INTEGRATIVO.

 

E aí precisamos falar de novo sobre a questão do tempo… Não é a quantidade de tempo que passamos com nosso filhos que realmente importa, é a qualidade do tempo que dedicamos a estar com eles que faz a verdadeira diferença!

 

Seja sincero e avalie quanto tempo de qualidade você tem passado com seus filhos!  Diga sinceramente se você consegue tirar pelo menos 30 minutos do seu dia para realmente estar com seu bebê, com sua criança!

 

Mas falo de 30 minutos verdadeiros, com aquela sinceridade e entrega que realmente importa e faz diferença na vida das crianças: sem televisão ligada na novela ou no jornal, sem estar falando ao telefone enquanto a criança monta um quebra cabeças sozinha ao lado, sem interromper a brincadeira para ir olhar a panela no fogão! Falo de 30 minutos em que você realmente se permitiu estar com seu filho!

 

E aí vale até assistir um desenho, um DVD de músicas, mas tem que assistir junto, cantar junto, comentar sobre as cenas que passam, interagir!

 

Vale até jogar algo no computador, mas mostrando, olhando interessado, ensinando, demonstrando que realmente está alí durante aquele tempo!

 

Na verdade, é se permitir também desfrutar da companhia do seu bebê, do seu filho, é se permitir a alegria de estar com ele sem que esteja simplesmente realizando tarefas no automático, sem que seja apenas para alimentar, dar banho, vestir, colocar para dormir…

 

É preciso que nós, pais e mães, possamos perceber que não podemos entregar nossos filhos aos especialistas, e hoje há especialista para tudo, inclusive no quesito estimular e entreter. Sim! Nos convenceram de que somos totalmente incompetentes para cuidar, educar, estimular, ensinar e entreter nossos filhos, para isso os especialistas em atividades e entretinimento tem muitas ofertas de como podemos e devemos ajudar no desenvolvimento pleno de nossos filhos!

 

Nisto, assim como um bebê largado diante o cubo que conversa sozinho, que não tem muito espaço para criar ou imaginar, nós pais, somos jogados a margem da vida dos nossos filhos, assistindo os especialistas cuidando e educando, enquanto não nos sobra muito espaço para sermos pais.

 

É através da brincadeira e da fantasia que os bebês e crianças compreendem e apreendem a realidade, eles precisam de contato físico, de olho no olho, de sorrisos, de caretas dos pais, de abraços, de cambalhotas, de conversas, é muito mais rico para o desenvolvimento de um bebê, alguns minutos de brincadeira com os pais ou cuidador direto, do que o super mega DVD desenvolvido por uma equipe multidisciplinar de pesquisadores formados em Harvard.

 

Algo ainda mais interessante é constatar que nada interessa mais o bebê e a criança pequena do que os objetos que fazem parte da sua realidade e de seus pais .

 

Quantas vezes já não ouvi pais dizendo, espantados, que o bebê prefere mil vezes brincar com a chave do carro do que com o mordedor chique comprado em loja de grife, ou, quem nunca se viu obrigado a sorrir em perceber a alegria de uma criancinha que acaba de receber um brinquedo caro e se interessa mais pela caixa do que pelo presente em si?

 

É preciso se permitir ser mais criativo, mais inteligente, ter filhos nos proporciona isso, para podermos pensar em passeios diferentes, que estimulem mais o contato físico e humano, como idas em parques, picnic com outros pais e crianças, sair para jogar bola, empinar uma bela pipa, sentar na grama e deixar que a criança venha se jogar confiante em nossos braços, sentar entre nossos joelhos, nos abraçar para uma cambalhota, recolher galhos e folhas ao redor, olhar passarinhos, imitar cachorros, correr…

 

É preciso conseguir olhar para o banal com um olhar novo, vívido, cheio de interesse, como é o olhar da criança.

 

No começo pode parecer surpreendente perceber que na verdade, para entreter uma criança não é preciso nada muito elaborado, disto quem precisa somos nós, adultos com olhar já viciado, sem brilho, mas para uma criança, uma volta em uma pequena pracinha pode proporcionar todo o entretenimento que ela precisaria para o dia todo!

 

Um universo inteiro engloba e faz parte de uma simples ida ao mercado! Esta é uma atividade absolutamente incrível se nos propormos a vivencia-la, serve tanto para bebezinhos quanto para crianças um pouco maiores, o ideal é escolher um momento em que não se esteja com pressa (na verdade é bom esquecer a pressa quando estamos com nossos filhos), escolher alguns poucos itens e ir as compras, sempre conversando com a  criança, mostrando as coisas, estimulando que ela pergunte, que ela possa tocar nos alimentos, que ela possa caminhar, ajudar a colocar algumas coisas no carrinho e colocar no caixa depois.  De algo assim só coisas boas resultam: a criança passa a conhecer os alimentos, a se interessar por eles, se ela se sente integrada será mais fácil leva-la quando a ida ao mercado for, além de uma brincadeira, algo necessário.

 

Os bebês e crianças pequenas, através do contato verdadeiro com seus pais e cuidadores, vão elaborando subjetivamente tudo que precisam para crescer com alegria, emocionalmente seguros e independentes no tempo certo, vão criando em suas mentes o necessário para serem adultos que fazem bom uso de sua inteligência e capacidades mentais!

 

Brincar de massinha, rasgar, picar e recortar revistas para fazer colagens, um cantinho para brincar com tintas, canetas, giz de cera.

 

Um rolo de fita crepe pode proporcionar tantas possibilidades de brincadeira, que eu poderia escrever um outro texto só sobre como usar a fita crepre criando brinquedos e brincadeiras!

 

Podemos nos permitir mudar (temporariamente) a disposição dos móveis da sala, juntando sofás que podem se tornar barcos e navios piratas, usar um lençol para fazer uma super cabana, almofadas para construir um forte.

 

Fico encantada em perceber que para brincar de esconde esconde, por exemplo, a gente não precisa de espaço, é incrível como Francisco (meu filho) se sente absolutamente escondido se estiver apenas com a cabeça coberta por uma almofada, e o quanto ri e se sente feliz em perceber o pai dele e eu perguntando um para o outro onde foi parar o menino que estava alí naquele mesmo instante!

 

O título deste texto é “Não parece brincadeira, mas é!”

 

E minha proposta é uma reflexão não apenas de que brincar é importante, mas que existem muitas coisas, que para nós, é apenas uma tarefa a ser realizada, e para a criança é uma brincadeira vibrante, divertida e estimulante.

 

Dentro de casa muitas brincadeiras que não parecem brincadeiras, são possíveis! Como falei, só não são se ficamos presos a nossa falta de imaginação, mas é só pedir ajuda dos verdadeiros especialistas: as crianças, e elas nos mostrarão um mundo novo na nossa própria sala!

 

Dentro de casa é possível estimular de forma positiva e permanente através de brincadeiras simples, com pouco tempo diário dedicado, caso o problema seja a falta de tempo.

 

Até hoje não vi uma criancinha, desde as menores, que não fique totalmente contente em ajudar os pais nas tarefas, são apaixonadas por vassourinhas e rodinhos, adoram imitar os pais quando estão realizando coisas do dia a dia, como varrer, espanar, colocar roupa na máquina de lavar, cozinhar, etc.

 

Procurar pela casa tampas e potes com formas diferentes para depois tentar desenha-los, pode entregar para as crianças alguns grãos, como arroz, milho, feijão, macarrão, para que sinta os diferentes formatos, texturas, para que passe de uma panela ou pote para o outro, aí basta ter o cuidado de só oferecer para crianças que já não mais exploram o mundo usando especialmente a boca!  Deixe que ela sinta que está ajudando nos afazeres, que está ajudando a cozinhar, permita que ela participe de verdade, que pique com as próprias mãos as folhas das verduras, que coloque os ingredientes secos e frios nas panelas, ensine-a a quebrar ovos, a dosar líquidos, isso além de tudo ajudará muito no desenvolvimento da coordenação motora.

 

Para os bebês, ofereça colheres de pau, copos plásticos, se for o caso, deixe brincar com frutas, com legumes, melhor maneira de estimular a formação de um bom paladar não há!

 

Criança precisa poder brincar com água, se a temperatura permitir, entregue para ela vasilhas com água, deixe brincar com baldes, mergulhar brinquedinhos, lavar coisinhas, e não restrinja isso ao período do banho, que seja no quintal, na cozinha, na área de serviço, em algum cantinho que ela poderá brincar não apenas sob sua supervisão, mas com a sua total participação.

 

Se realmente quer oferecer uma educação de qualidade aos seus filhos, se realmente quer proporcionar a eles possibilidades de se desenvolverem, de estarem estimulados, simplesmente se permita ficar com eles durante um período!

 

Faça isso pelos seus filhos, mas faça isso também por você mesmo.

 

Eles realmente crescem muito rápido, enquanto lavamos, passamos, cozinhamos, voltamos do trabalho, eles crescem.

 

Enquanto os entregamos aos “especialistas” em desenvolvimento infantil, eles crescem, e nisto, não apenas eles perdem, mas nós também.

 

Se permita estar com seus filhos pequenos, é através dos pequenos detalhes como no abraço, no DVD assistido junto, no esconde esconde, no jantar compartilhado, que construímos a relação sólida e verdadeira de companheirismo, respeito e Amor que durará por toda a vida!

 

Se permita estar com seus filhos e realmente vai perceber que eles é que mostrarão um mundo novo e lindo para você.

 

Sentir saudade do tempo em que os filhos são pequenos parece ser uma constante na vida dos pais, aquela doce melancolia de perceber que realmente vão crescendo e se afastando, pois seu mundo vai se expandindo, suas vidas vão ficando repletas de outras coisas e outras pessoas, e isso é bom, na verdade este é o objetivo: que eles precisem cada vez menos da gente.

 

Sentir saudade do tempo que o filho cabia no abraço e que um beijo curava qualquer machucado ou problema, é aceitável, mas que  saudade futura seja acalmada por milhares de lembranças de momentos vividos juntos, que esta saudade não seja nunca alimentada pelo vácuo de ter deixado a infância do seu filho passar, entregue aos outros sem terem vivido juntos lindas brincadeiras.

 

Brincar é algo muito sério, mas com o Amor que sentimos pelos filhos, definitivamente não se brinca.”

 

 

Luzinete da Rocha Cruz de Carvalho

 

Mais Dicas de Brincadeiras! (Página 11)

Em casa:

Jogos de tabuleiro
Jogos de tabuleiro existe um monte. Banco imobiliário, war, palvras cruzadas, etc. Cada um tem sua regra própria, mas, em geral é necessário um grupo para jogar e todos devem estar ao redor do tabuleiro.

Jogos de cartas
Assim como os jogos de tabuleiro os jogos de carta são inúmeros. Buraco, pôquer, tranca, mexe mexe, 7 ½ ou 21, paciência. Neste caso você pode jogar sozinho ou em grupo, basta ter o baralho.

Jogo da memória
As peças do jogo de memória são duplicadas. O objetivo é achar as peças iguais em uma mesma jogada. Cada jogador abre duas peças por vez e se não encontrar duas iguais passa a vez para o jogador seguinte. Assim o jogo segue até que todas as peças acabem. Cada vez que um jogador encontra as peças iguais ele pode jogar novamente.

Culinária
Cozinhar é uma delicia, ainda mais com boas companhias, como as crianças. Contudo, a cozinha é um lugar onde deve-se ter muito cuidado com os pequenos. A dica é fazer alguma receita fria ou que a parte “no fogão” seja responsabilidade do adulto e as crianças ajudam na preparação. Não pedir para as crianças cortarem os ingredientes. Facas também não são indicadas para as crianças. Elas podem lavar, secar, misturar, ler a receita no livro, quebrar ovos e muitas outras tarefas que não as machuquem.

Recorte e colagem
Revistas, jornais, cola, tesoura para crianças e muita imaginação. Vocês podem fazer um fanzine, um cartaz ou qualquer outra coisa que inventarem recortando imagens, palavras, letras e tudo o mais que criarem.

Dançar
A dança pode ser em qualquer lugar, a qualquer hora, com qualquer estilo musical e com qualquer companhia, até mesmo sozinha. O importante é balançar o esqueleto e se divertir muito!

Ler
A leitura é diversão para qualquer pessoa, mesmo que ela não saiba ler. Se tiver o pai, mãe, avó, ou qualquer pessoa que possa ler para ela a diversão está garantida. Muita imaginação e sonhos surgirão.

Cavalinho de vassoura
Se tiver uma vassoura velha em casa você mesmo pode confeccionar a cabeça do cavalo com materiais reciclados. Ou pode apenas imaginar o cavalo e pegar a vassoura que está sendo usada na casa mesmo. E sair por aí cavalgando até cansar.

Desmontar brinquedos
Os meninos especialmente adoram desmontar brinquedos. A curiosidade faz parte da infância e eles querem saber como as coisas funcionam. Nada melhor do que desmontar para ver. O problema é saber remontar e voltar a ser o brinquedo original… Ou o relógio pode virar um teleférico?

Telefone sem fio
A primeira pessoa da fila inventa uma frase ou uma história e vai contando no ouvido do segundo. Um vai passando para o outro o que ouviu e no final o último tem que contar para todo mundo. É uma diversão nunca sai a historia original. Haja abobrinha!

Passa anel
O nome é passa anel, mas pode ser feita com qualquer objeto pequeno que caiba nas duas mãos. Todo mundo fica em fila e uma pessoa vai passando a mão fechada nas mãos de cada uma. Ela escolhe uma pessoa da fila para deixar o anel e as outras pessoas têm que descobrir com quem está.

Adoleta
Precisa no mínimo de duas pessoas para brincar. É um jogo de bater palmas umas com as outras e contar a música: “adoleta, le petit, petit…” Ganha quem conseguir bater na palma da amiga no final.

Bambolê
Tem que ter o bambolê, aquele círculo grande para apoiar nos quadris e rodar, rodar, rodar até não aguentar mais ou o bambolê cair no chão.

Cinco marias
Você precisa de cinco pedras pequenas, ou saquinho costurados com arroz dentro. São várias fases. A primeira você joga uma pedra para o alto e tem que pegar uma pedra no chão. A segunda você tem que bater palmas… e assim por diante, cada fase vai ficando mais difícil do que a anterior. A medida que alguém não consegue realizar a tarefa da fase a vez passa para o amigo.

Pedra, papel e tesoura
Mão fechado é pedra, mão aberta espalmada é papel e dois dedos em V é tesoura. A pedra ganha da tesoura, que ganha do papel, que ganha da pedra. Você pode jogar este jogo infinitamente até cansar.

Detetive
No grupo em círculo uma das pessoas é o assassino, outra é o detetive e todos os restantes são pessoas comuns. O assassino mata suas vitimas com um piscar de olhos e o detetive tem que descobrir que é ele. Vocês podem escolher o papel de cada um com sorteio de pequenos pedacinhos de papel com o nome de cada personagem. Se o detetive não descobrir o assassino até ele matar todos, o assassino ganha o jogo.

Adedanha
Todas as pessoas colocam um numero com as mãos ao mesmo tempo. Cada dedo corresponde a uma letra do alfabeto. Conta-se as letras e os participantes tem que falar o nome de uma categoria definida previamente, como país. Quem não souber vai saindo do jogo até sobrar uma pessoa, a vencedora.

O que é o que é?
Este é o jogo da adivinhação. Você pergunta “o que é o que é…” para alguém e ela tem que adivinhar. Todos podem tentar adivinhar e fazer perguntas.

Forca
Precisa apenas de um papel, um lápis e criatividade. Você pensa uma palavra e escreve no papel o numero de tracinho correspondente ao numero de letras da palavra. As pessoas tem que tentar adivinhar sugerindo letras do alfabeto. Cada vez que falam uma letra certa você coloca no tracinho correspondente. Cada vez que falam uma letra errada você desenha uma parte do corpo do bonequinho na forca. Se o boneco ficar completo você ganha. Se as pessoas descobrirem antes do boneco terminar, você perde.

Jogo da velha
Também só precisa de papel e lápis. Desenhe duas linhas paralelas horizontais e por cima duas linhas paralelas verticais, perpendiculares as primeiras. O objetivo é preencher três símbolos iguais em três quadrados seguidos, seja na horizontal, vertical ou diagonal.

Mimica
Pode ser com nome de filme, nome de musica ou só uma palavra para a adivinhação ficar mais simples. Você ou o seu grupo inventa uma dessas categorias acima e o outro tem que adivinhar com sua mímica.

Dança das cadeiras
Basta perfilar algumas cadeiras na sala e ter um grupo de pessoas dançando uma música em volta das cadeiras. Cada vez que a música parar todos tem que sentar. Mas, atenção, tem que ter uma cadeira a menos que o numero de pessoas, assim alguém ficará em pé quando a música parar. Essa pessoa sairá do jogo e assim segue, sempre tirando uma cadeira cada vez que a música parar. Ganha quem terminar sentado na ultima cadeira.

Pega varetas
Pode ser com o jogo mesmo ou com varetinhas de churrasquinho. Junte todas e solte a um palmo do chão. Elas se espalharão e vocês tem que retirar uma a uma sem mexer nas outras varetas. Ganha quem conseguir um numero maior de varetas.

Trocar papel de carta
Uma pasta com muitos papeis de carta e amigas para trocar. Você escolhe um papel que goste e ela escolhe um seu. Se acharem que vale a pena, vocês trocam. Alguns papeis são tão lindos ou tem tanto valor sentimental para alguém que valem por dois ou três papeis das amigas.

Na rua:

Caça ao tesouro
Uma pessoa fica responsável por esconder o tesouro e fazer e esconder as pistas que levarão até ele. O resto do grupo irá procurar até encontrar o tesouro.

Teatro
Quem nunca brincou de teatro. Você pode inventar uma historia, fazer uma peça que já exista, enfim, soltar a imaginação. Quem sabe consegue até uns figurinos com a roupa dos pais.

Horta
Se você não tem um canteiro na sua casa ou nem mesmo um vasinho para plantar, você pode ir na casa de um amigo ou plantar na rua. O importante é cuidar da sementinha que plantou. Regar a terra, podar e esperar para vê-la crescer junto com você e aproveitar as que são comestíveis para levar para casa e preparar um delicioso prato para a família.

Comidinha com terra
Enquanto brinca de horta você também pode brincar com os pequenos de comidinha com terra ou com areia. Como se fosse uma cozinha mesmo!

Marco polo
Todos ficam na piscina e uma pessoa de olhos fechados fala “marco”. Todos tem que responder “polo”. O primeiro tem que adivinhar onde os outros estão e toca-los pelo som da voz. Se ele conseguir tocar alguém, troca de papel com essa pessoa.

Corrida do ovo
Cada um pega uma colher e um ovo. Coloca o ovo na colher e a colher na boca. Agora é só começar a corrida. Quem chegar no final sem deixar o ovo cair, vence!

Cabo de guerra
Você precisa de uma corda e de dois grupos. Cada um de um lado da corda com um linha no chão para separar os grupos. É só puxar, um para cada lado. O grupo que conseguir puxar mais forte e levar o outro a passar da linha da chão, ganha.

Pula carniça
O amigo se abaixa e você pula por cima dele. Vocês podem passar a tarde fazendo isso! Dá para gastar muita energia e não tem fim.

Meus pintinhos venham cá
Um grupo fica de um lado da rua e a “galinha” fica no meio da rua. Começa o diálogo: Galinha:” meus pintinhos venham cá”. Pintinhos:”tenho medo da raposa” Galinha:”o que ela come?” Pintinhos:”carne” Galinha:”o que ela bebe?” Pintinhos:”sangue”. Galinha: “tenho milho para te dar”. Todos os pintinhos correm para o outro lado da rua e a galinha tem que pegar um deles no caminho. Quem for pego assume o lugar da galinha.

Lenço atrás
Todos ficam sentados em círculo e uma pessoa coloca o lenço atrás de uma delas. Quando a pessoa que estava sentada descobrir que recebeu o lenço tem que levantar e correr atrás da primeira para pega-la. O objetivo é a primeira conseguir dar a volta no circulo e sentar no lugar da outra.

Peteca
Basta ter uma peteca e não deixa-la cair. Você precisa pelo menos de um amigo para jogar com você. Não é competição, é um jogo de parceria.

Corrida de saco
Cada pessoa entra em um saco, de preferencia, na altura da cintura. Depois que todos estiverem perfilados começa a corrida com pulos. Ganha quem chegar no final primeiro.

Pra quem é de praia:

Castelinho de areia
Criatividade e um pouco de paciência caso o mar resolva vir e acabar com sua obra de arte. Dá para montar um reino inteiro numa tarde de sol.

Túnel
Você cava o buraco de um lado e um amigo cava do outro (ou você cava um de cada vez). Quando as mãos se encontrarem o túnel está feito. Pode colocar joaninha, passar o carrinho de brinquedo e o que mais você quiser.

Pular onda
Cuidado com o mar sempre é bom. Pular onda na beira é uma das brincadeiras mais seguras na praia. Como você está na beira não tem risco de afundar. Pule quantas ondas quiser e refresque-se a vontade!

Catar joaninha
Hoje em dia o número de joaninhas na praia diminuiu bastante, mas ainda dá para catar algumas joaninhas. Você cata e depois coloca todas elas de novo na areia para voltarem ao seu habitat.

Corrida de tampinha.
Alise a areia para fazer a pista da corrida. Cada um pega a sua tampinha de garrafa e a corrida começa. Ganha quem conseguir chegar primeiro no final dando petelecos nas tampinhas.